23/06/2011

Carta de uma lider de crianças para pastores das igrejas omissas.

Creio que essa carta deva ser algo que saia do coração de muitas lideres de ministério infantil, mas que muitas das vezes fica escondida, estancada pela opinião e omissão de muitos lideres pastorais.

"Quando eu tinha apenas 7 anos e vivia uma vida de pobreza, não conhecia nada que pudesse mudar as circunstâncias da minha vida. Mas, através de um mover de amor e de comprometimento, pude encontrar a tão esperada felicidade que eu sempre quis ter. Passei muito tempo indo de lugar em lugar, procurando essa felicidade. Muitos me davam pão para eu me alimentar, davam-me brinquedos para eu brincar, davam-me banho para eu ficar limpa, mas estava faltando algo que eu não conhecia ainda. Eu tinha muitos medos, e não sabia com quem contar para afastar esses medos. Fantasiava uma vida que eu pensava que só existiria nos meus sonhos, afinal para todos eu era apenas uma criança, e não tinha importância se eu estava bem ou não. Eu era apenas uma criança, e isso não importava pra ninguém.
Eu saia todo dia da minha casa pra um lugar bem longe, a pé com os pés descalços, procurava um abrigo onde eu pudesse me esconder das circunstâncias. Meus pais, com um casamento desestruturado, e sem emprego fixo, tentava manter uma familia de 8 pessoas. Eu via o sofrimento em seus olhos, e pensava se tudo isso iria mudar, e quando iria mudar. 
Passava a maior parte do tempo procurando nos lixões das lojas do bairro, se haveria algum calçado, alguma coisa que fosse reutilizável e que servisse como um brinquedo ou algo parecido, mas eu só encontrava caixas vazias. E como sempre imaginava se ainda teriam dias melhores.
Até que um dia, fui convidada por uma coleguinha para participar de um momento especial que acontecia todos os sábados às 15hs, num lugar chamado Baixa da Égua. 
A primeira vez eu achei estranho, porque nunca tinha participado de algo assim. Era notório o medo que em mim pairava, e achava tudo muito diferente. Até que ela chegou e disse: Seja bem-vinda, pode entrar. E começaram a cantar uma musiquinha que dizia assim: Visitante seja bem vindo, sua presença é um prazer, com Jesus estamos dizendo essa igreja ama você. Eu fiquei feliz, naquele momento percebi que estava num lugar muito especial. Eu ia constantemente todos os sábados, e a cada momento algo diferente era apresentado pra gente. Não sei o que eles faziam pra ter tanta coisa legal ali, era apenas uma casinha pequena, mas que tinha muita brincadeira, muitos bonecos falantes, que eu não sabia ainda que se chamavam fantoches, tinha lanche, musiquinhas, etc. Mas, o principal vinha no final, a história do dia, era a parte que eu mais gostava. Aquelas figuras coloridas que colavam naquela lousa peludinha, como se fosse mágica, pra mim era tudo incrível. Foi a melhor das minhas experiências, e faziam eu me esquecer do opróbrio da vida que tinha.
Certa terça-feira, fui convidada para ir a uma noite especial, e foi nesse dia que alguém me tocou. A música saia da voz do coral que ficava na parte de cima do lugar onde estávamos e dizia: Foi num domingo, alguém me tocou, foi num domingo alguém me tocou...eu sei que foi o meu Senhor. Após a história, naquela noite minha mãe foi a frente, e a convite de minha coleguinha, não entendendo muito bem o que iria fazer ali, eu me ajoelhei em frente ao altar, e recebi a Jesus, como meu Salvador e Senhor.
Após essa virada grandiosa na minha vida e na de minha mãe, passamos a fazer parte da Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Amazonas, numa terça-feira de 1988, não lembro o dia e mês porque eu era muito criança. 
Comecei a frenquentar a EBD para crianças, e conheci muitas outras crianças que eu nunca havia visto. Todos os domingos eu ia a EBD, e a cada domingo era uma surpresa diferente. Conheci a tia Izabel, minha professora de EBD, sempre estive com ela e passava a maior parte do domingo em sua casa. Encontrei amigos, pessoas que cuidavam de mim, da minha vida espiritual. E sair todo dia de casa pra ir pra bem longe, já não era tão aterrorizante, porque eu tinha certeza que pra onde eu ia, receberia muito mais do que apenas um pão, um brinquedo. Mas, eu receberia alimento para a alma.
O tempo passou, e hoje aqui estou. Passei por muitos problemas, muitas dificuldades, situações de risco, mas aqui estou, com meu JESUS, meu SENHOR, que conheci quando tinha apenas 7 anos, e que o recebi pra morar em meu coração pra sempre, quando eu tinha apenas 8 anos, exatamente, numa terça-feira de 1988.

Eu contei essa história pra você querido pastor, uma história verdadeira, a história da minha vida, para falar que o seu investimento no ministério infantil de sua igreja, não é vão. E lhe garanto que além de retorno financeiro, como é o intuito de alguns, esse departamento tão carente de sua igreja, renderá anos de uma vida consagrada a Deus.
Muitos pastores, lideres, diaconos, grupo de senhores e senhores, e grupo de jovens, pensam que investir nas crianças é perder tempo e dinheiro. Você não imagina o quão frutifero e rentável (vendo de uma forma espiritual) é esse ministério.
Além de poder ganhar uma vida inteira para Cristo, você também terá um grande lider, um excelente dizimista e um ótimo ofertante, e principalmente, um grande amigo.
As crianças não chegam na igreja querendo comer pão ou brincar, elas querem mais que isso, precisam de alguém que esteja disposto a ajudar-lhe no que for preciso. As crianças precisam de alguém que se preocupe com o seu bem estar, elas gostam de atenção e carinho, porque isso muitas vezes elas não encontram em suas casas. E nós como igreja precisamos nos levantar para dar a elas um lugar digno e onde ela possa aprender a amar a si mesma, a amar o próximo, a amar a Deus sobre todas as coisas, e principalmente, ter um encontro real com JESUS.

Investir financeiramente nas crianças, não fará seu bolso ficar furado. Pedir ajuda não te fará um "pastor de esmolas". Mas, fará com que você pastor, seja um colaborador na Casa de Deus, além de apascentar as ovelhas, também estará apascentando os cordeirinhos, como diz em  Mateus 18:14"Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca." 

Querido pastor, não queremos perder os pequeninos para as drogas, para a prostituição, para a marginalidade. Não queremos ser responsáveis por este ato, de não apascentar os cordeirinhos de Deus.
Não deixe de ajudar seus colaboradores nesta obra, que não te pedem nada em troca, que não pedem salário algum para estar cuidando das crianças, e que muitas vezes, digo muitas vezes (porque eu já fiz isso), tiram do próprio bolso para sustentar um departamento que é de responsabilidade da Igreja. E que quando vão pedir ajuda, ainda são maltratados, desrespeitados e sinceramente falando, discriminados, porque querem manter e dar continuidade ao departamento infantil.
Foi por causa de investimento, pastor, que eu conheci a Jesus, porque lideres se mobilizaram para montar uma pequena casa, chamada por nós crianças na época, de Igrejinha das Crianças, investimento de aluguel da casa, investimento do lanche, investimento da compra de material da história, investimento dos equipamentos de som, áudio e vídeo, investimento nas cadeiras. Tudo foi um investimento, que pra mim, hoje, posso dizer, valeu a pena. Então, que mãos apresentaremos ao Senhor quando nos encontrarmos com ele frente a frente: Mãos limpas ou mãos que nada fizeram? O que diremos?

Que o Senhor nosso Deus venha dar sabedoria e entendimento a todos os nossos lideres e que eles reconheçam que o Ministério Infantil dentro de uma igreja vale mais que bolsos cheios de dinheiro.

Que o Ministério Infantil de uma igreja não é um lugar de depósito de crianças, mas um lugar onde elas recebem amor, carinho, atenção e alimento espiritual.

Que as igrejas possam investir também em Missões Mundiais, porque o mundo precisa conhecer a JESUS, e não podemos guardá-lo para nós mesmos. 

As igrejas precisam investir nas Missões Municipais e Urbanas, dentro do seu próprio Estado, Cidade, Bairro, existem pessoas que precisam conhecer esse JESUS que eu conheci.


João 21:15-17: "Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu Me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu Me amas? Pedro entristeceu-se por Ele lhe ter dito, pela terceira vez: tu Me amas? E respondeu-lhe: Senhor, Tu sabes todas as coisas, Tu sabes que eu Te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas."




Atenciosamente,

Ligiane F. Bastos
Coordenadora do Ministério Infantil Geração de Adoradores.
Um ministério sem fronteiras, sem jugo, de apenas um dono, o SENHOR JESUS."

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