Pular para o conteúdo principal

Cuidados com os nossos meninos: Obesidade, Bulimia e Anorexia


Dra. Jocelem Mastrodi Salgado
Prof. Titular em Nutrição - LAN/ESALQ/USP 


Quando se fala em distúrbios alimentares, a primeira imagem que nos vem à memória é de uma garota pálida, ossos proeminentes e pouca musculatura. Ou aquela garota um pouco mais gorda que a média da classe, que passa o tempo lamentando o peso, tentando todas as novas dietas e caindo em todas as tentações, de batatas fritas a hamburguers e cachorros-quentes.
Quase nunca se imagina um menino nessas condições, lutando com os distúrbios alimentares. Os rapazes jogam bola e namoram, não precisam se preocupar com o que comem e com o ponteiro da balança. É o que eles e nós acreditamos.
Pois os nossos meninos também têm seus problemas alimentares, e o mais frequente é justamente a obesidade, o excesso de peso. Há também os que sofrem de bulimia e de anorexia, mas a obesidade é o mal mais evidente, justamente porque aparece mais. Por isso mesmo os adolescentes são tão cruéis com os gordinhos, despejando neles apelidos como bolões, balões, gorduchos, comilões, etc.
Os gordinhos não estão sozinhos, têm seus ídolos no cinema, na TV, na música. Enquanto se sentem bem, mantêm uma alimentação à base de refrigerantes, salgadinhos e completa irregularidade de horários. Vão à praia com camisetas e bermudões, não se sentem excluídos. Relutam em realizar qualquer atividade física além de suas andanças e festas e não têm nenhum motivo para se preocupar com problemas imaginários e futuros de saúde.
Sendo jovem, e estando nesse meio, não é mesmo possível imaginar que a obesidade está ligada à ansiedade e à depressão e que precisa ser cuidada. Fatores genéticos interferem na instalação e manutenção da obesidade, mas nada disso mudará a planilha de aborrecimentos que esse jovem enfrentará num futuro próximo. Alguns preferem culpar os pais e familiares, e não estão errados, pois o adolescente obeso frequentemente foi uma criança obesa, com pais ou parentes obesos. A compulsão para a comida é uma aliança entre a genética e o ambiente em que a pessoa vive. E os pais, nessa história, têm papel fundamental.
Há quem diga que a criança só é gorda quando a mãe quer. Não é frase de efeito. Vários estudos mostram que a mãe insegura acaba oferecendo ao bebê mais comida do que deveria. A pediatra Esther Laudanna observou que há uma relação direta entre a insegurança e a angústia da mãe com a quantidade de comida que oferece a seus bebês. Se a criança chora, a primeira atitude dessas mães é oferecer comida. "Criança feliz é a criança de barriguinha cheia", diz a médica. "Barriguinha cheia, criança quietinha, mãe feliz. É assim que funciona."
A prática poderia ser vista como generosidade de uma mãe cheia de cuidados. Na realidade, acaba sendo uma forma de desviar os hábitos alimentares. A criança crescerá gordinha e rechonchuda, um verdadeiro bebê Jonhson, elogiado por tios, avós, vizinhos e amigos da família.
Até que enfrentará o convívio da escolinha e passará a ser chamada de "gordinha" e "balofa", e terá dificuldades para participar das brincadeiras dos amiguinhos. A família, que até então só enchia o "queridinho" de mais e mais comida, passa agora a vigiar a geladeira, transformando seu cotidiano numa briga com a comida.
O sofrimento pode prosseguir pela vida afora. As pesquisas mostram que mais de 60% das crianças acima do peso viverão suas vidas como obesas ou passarão seus dias lutando contra a balança, pulando de dieta em dieta. O prazer da comida poderá estar comprometido pelo resto de seus dias.

Anorexia, o que é isso?

A obesidade de crianças e adolescentes é um problema comentado pelos pais e especialistas, e sempre presente na mídia. Já a anorexia é sempre tida como um distúrbio raro, especialmente entre os meninos. Pois o problema não é tão raro assim.
A anorexia é um distúrbio alimentar em que a pessoa não sente fome, ou tem a sensação de não sentir fome, ou não quer sentir fome. Mesmo estando magra, ela se sente gorda ou vive em pânico com a possibilidade de engordar. Esses sentimentos certamente parecem exagerados para todos aqueles que não se enquadram nessa categoria de enfermidade. Um adolescente que não sofre desse mal vai devorar um prato de arroz, cebola e bife sem se preocupar com possíveis reflexos no seu organismo. Vai se olhar no espelho e se achar em forma, forte e saudável.
Para as vítimas da anorexia não é assim. A imagem que fazem de seu corpo é sempre depreciativa, sempre se acham acima do peso, enxergam gordura onde não há. Estão com IMC baixíssimo, mas se sentem gordos. O IMC é o índice que relaciona a altura e o peso, indicando aqueles que estão no peso e aqueles que estão acima ou abaixo do peso.
Pois para aqueles que sofrem de anorexia, esse índice não vale nada. Eles compram roupas em lojas infanto-juvenis, quando já são adolescentes, porque seus tamanhos não correspondem aos comuns em sua faixa etária.
Na anorexia, a questão psíquica proeminente é a depressão. Não é raro um filho anoréxico ter um ou ambos os pais com distúrbios de alcoolismo, depressão ou psicoses. A alimentação de uma pessoa que tem esse problema é pobre em gorduras e carboidratos, muitas vezes sem nenhuma proteína. É fundamental a análise clínica e o apoio de um nutricionista e de um psicólogo para seu tratamento.
No nosso meio, a anorexia está sempre associada às meninas, às adolescentes.
Copiamos um universo transmitido pelas modelos, onde prevalece a regra do quanto mais magro melhor. Pois estamos chamando a atenção para um problema que atinge também os meninos. É só observar ao nosso redor e vamos notar pré-adolescentes e adolescentes muito abaixo do peso. São vistos pelas suas famílias e pelos professores de suas escolas como vivendo uma fase decorrente do crescimento que atravessam. Em muitos casos, todo mundo está se enganando: o menino pode estar sofrendo as consequências da anorexia, e precisará de cuidados especiais para superar essa obsessão pela magreza.

A bulimia, compulsão para comer

Ao contrário da anorexia, na bulimia o indivíduo sente compulsão para comer sem parar, não tem medidas, não consegue se sentir saciado. Quando fica abarrotado, estufado, provoca o próprio vômito.
Faz isso em todas as refeições, e faz muitas refeições por dia. Uma evidência do distúrbio bulímico é a corrosão das arcadas dentárias na face interior: a acidez do vômito constante corrói as paredes internas dos dentes e fere a gengiva.
O bulímico pode ser gordo ou esguio, dependendo de quanto tempo leva para provocar o vômito. Se a família é presente e ele precisa evitar comportamentos estranhos a ela, demora mais para ir ao banheiro; se vive só, a chance de provocar o vômito imediatamente é maior.
Estamos falando de um distúrbio alimentar muito menos frequente que a anorexia, e muito, muito menos comum que a obesidade. Muitos de nós nunca tivemos na família ou entre os amigos um caso de bulimia. Na verdade, quando eles ocorrem, poucas vezes são revelados. Mas todos nos lembramos da princesa Diane, que, aos nossos olhos de plebeus tinha tudo para ser feliz, e que comia e provocava vômitos. Quem saberá quais angústias provocava o sofrimento de tão bela princesa?
Voltando ao reinado dos plebeus, o que nos preocupa são os maus hábitos alimentares que, adotados ou condicionados na infância, vão levar a distúrbios graves pela vida afora. Já se sabe hoje que a maioria desses hábitos tem um fundo psicológico, e que não foi diferente para Diane. Nenhuma princesa se lançaria em tais convulsões se a alma não estivesse infeliz.
No nosso caso, e das nossas crianças, vale a pena insistir em hábitos alimentares saudáveis desde a infância, com refeições balanceadas cumpridas em horários fixos, e o desenvolvimento da educação alimentar. Se a criança aprender que, durante a semana deverá cuidar da alimentação, seu refrigerante no final-de-semana não precisará ser proibido. Uma semana com arroz, bife e salada será recompensada com um domingo de McDonald´s e sorvetes na padaria da esquina. A estratégia é transformar a comida do dia a dia em momentos de prazer, com a garotada participando da preparação da salada, da escolha do legume e da elaboração dos molhos e temperos. Nada de dividir a atenção com a televisão. O prazer da comida tem que estar na brincadeira de reconhecer os sabores diferentes de uma beterraba, uma batata, uma abobrinha ou couve-flor.
Apesar da festa, é preciso estar atento às reações e a possíveis distúrbios desses pequenos convidados, como a recusa sistemática dos alimentos e a gula excessiva, ou a ambos. Se a criança se recusa a comer, pode ser que esteja chamando a atenção dos pais, pode ser que haja qualquer outro motivo, de qualquer modo seu organismo estará desequilibrado. Tem que prestar atenção.
Também é preciso conhecer e respeitar o ritmo de cada criança. Ela pode não querer uma sopa de beterraba às 11h, mas pode adorar e comer um prato inteiro às 13h. Cabe aos pais sentir qual a predileção de suas crianças, dos horários de sono ao momento em que sentem mais fome ou vontade brincar. Não se trata de atender suas vontades, mas de descobrir um ritmo e um horário que são próprios de cada criança.
Já os adolescentes não conseguem mais se enquadrar nessa de rituais e horários. Devoram pratos inteiros e dormem dez horas ininterruptas. São criaturas frágeis, e algumas vezes transmutam essa fragilidade em agressão e onipotência. Precisam de diálogo sincero e apoio para compartilhar uma angústia que só eles estão vivendo, pois são eles, nessa fase da vida, que perderam o corpo da infância, que perderam os pais da infância, o mundo agora é outro, inóspito para seus corpos destrambelhados, que cresceram depressa demais.
Como dizer a nós mesmos, e como dizer a esses adolescentes, que engordar e emagrecer além da compleição física da família pode ser um problema facilmente tratável?
Não há razão para tanto sofrimento, tanta angústia na alma teenager, quando um pouco de conforto poderia ser estabelecido com um mínimo de diálogo com os mais velhos, pais, colegas, professores.
Nada pior para um adolescente que um adulto que tenta fazer dele um falso cúmplice. A cumplicidade que os adolescentes precisam é na esfera da sincera disposição em escutá-los, em dizer um pouco dessa sensação desagradável e necessária que é ver o mundo com outros olhos.
Vamos convidar nossas crianças, meninos e meninas, para colaborarem no preparo da mesa e na mistura dos temperos. Eles vão adorar. E nós, adultos, podemos estar descobrindo novos sabores nas nossas saladas.

Fonte: Nutraceutica
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Sugestão de Nomes para Células de Crianças, Pequenos Grupos, Rede Infantil, Cultos.

Olá Meninas e Meninos (jeito carinhoso de chamar vocês tios e tias)! Que a graça e a paz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo seja com todos vocês. Bem, estava um tanto ausente por causa do trabalho, mas estou de volta e postando novidades. Tenho sido perguntada por alguns tios e tias, sobre idéias de nomes para Células de Crianças, Pequenos Grupos, Rede Infantil, Cultos. E hoje decidi postar algumas sugestões.
O lado bom de se trabalhar em ministério infantil, é quando fazemos as escolhas do nome da classe, da célula, do pequeno grupo, das Redes de Crianças, dos Encontros Semanais e dos Cultinhos.
Uma amiga aqui de Manaus que eu gosto muito, foi quem me motivou a postar antecipadamente este post, que eu ainda estava preparando (a bom preparar). Mas, fico feliz porque sei que de alguma forma estarei ajudando muitas de vocês. 
Sei que nem todo mundo tem criatividade de inventar ou criar algo na hora de supetão. É necessário preparo, conhecimento daquilo que se quer fazer, pesquisas …

Modelos de Roupas para Grupo de Louvor Infantil para Meninas

A pedidos, estou postando alguns modelos de roupas que você poderá  adaptar para o ministério de louvor infantil de sua igreja, utilizando-se dos modelos e modificando o que você achar necessário. Sabemos que precisamos padronizar algumas vezes nessa área por questão de ética e por ser bem mais elegante estarem todos bem vestidos para louvar ao nosso DEUS.










(Ariane, talvez este seja adaptado ao seu pedido)
Estas são algumas idéias de vestidos para meninas, que como falei anteriormente podem ser adaptadas.
Fonte: Google Imagens

Personagens bíblicos para histórias em E.V.A.

Olá, mais uma vez estou aqui. Lembram que prometi a vocês que iria postar materiais de ensino? Bem, hoje vou postar em fotos, personagens para histórias bíblicas que você pode criar com um único molde, basta usar a criatividade. Eu achei este molde na internet, e decidi apostar nele. Os detalhes, como roupas eu mesma elaborei, baseada no corpinho do próprio molde. Você verá a sequência que irei expor aqui, e espero eu que você possa entender, porque está muito fácil. Você pode utilizar o mesmo molde para fazer diversos personagens de histórias bíblicas, se quiser. Vamos lá então ver como ficou???


Postando o molde do boneco. Só não deu pra postar os demais, porque foram feitos baseados no corpo do boneco. Use a criatividade. Vamos lá!? (07/05/2015)